Arquitetura e poesia: Literatório

Impressões pessoais sobre tudo em geral e nada em particular; a sutileza que entremeia as diferentes expressões destas artes; a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida.

31/7/08

Experiência

 

Um ancião me chamou:
para ensinar, para perguntar,
para inquirir.

O ancião me conduziu:
me mostrou os fatos, os meios,
os objetivos.

O ancião realizou.
Coisas que planejei, ele ajeitou
e ora estão aqui.

O ancião se despediu;
deixou marcado o seu caminho
se eu quiser segui-lo.

E, finalmente, partiu.
Deixou a obra, deixou exemplos
para quem quiser segui-lo.

Sua sabedoria se repartiu
como o pão da Santa Ceia
que Jesus dividiu.

Para meu avô, Luiz de Oliveira Braga.
[Adhemar - São Bernardo do Campo, 16/11/2004]

criado por adhbrgsz    20:46 — Arquivado em: Poesia

Nascimento

 

Onde houver uma folha em branco
vai haver uma idéia adormecida;
vai poeta, desperta a tua amada
com o som indefinido de tua pena
deslizando sobre o papel.

Desperta o fato
dando vida como ao feto
a mulher grávida.
Transforma a branca planície celulósica
em suporte de um ideário romântico,
atrevido e visionário.

Faz da tua mão
um supérstite de tua mente
e do teu coração.

[Adhemar - Santo André, 14/11/2006]

criado por adhbrgsz    20:30 — Arquivado em: Poesia

30/7/08

Horas completas

 

Mundo repleto.
Cheio.
Sem vazios.
Vazio vai o homem
que morrerá na calçada.
Vazio, vazio.

Por desfastio,
a moça desfez
o que fez.

Não sobraram ares
entre um ponto
e outro.

Todas as consciências
vão ocupadas
com sua inconsciência.

Os homens
abandonaram o mundo
e a si próprios.
Esqueceram-se de viver,
amar,
amar a vida.

Todos olham seus sapatos.
Ninguém mais vê o sol.

Todas as horas estão completas.

[Adhemar - São Paulo, fevereiro/1983]

 

criado por adhbrgsz    12:58 — Arquivado em: Poesia

29/7/08

Eletricidade

 

Uma calma repentina desce do nada;
após uma explosão previsível,
anunciada,
inevitável.

Dentro dessa calma,
a imersão no escuro dos próprios pensamentos
turvados pela revolta da injustiça.
Quão omisso fôra antes
já não vem ao caso.

Dentro dessa calma,
a consciência de ser.
O se dar conta do próprio tamanho,
do próprio alcance
e da própria força.

Dentro dessa calma,
a percepção de erros e acertos
e da importância de existir.
O vulto e o compromisso,
o poder e a visão.

Dentro dessa calma,
a imensa vontade de permanecer em paz.

[Adhemar - São Paulo, 28/04/2008]

criado por adhbrgsz    18:18 — Arquivado em: Poesia

28/7/08

Descarrilhando

 

Saí para ver a vida,
otimista, esperançoso;
passando das janelas à vista,
alegre e bem disposto.

Saí para ver a vida
tão próxima e tão distante;
livre e arejada perspectiva,
profunda e melhor que antes.

Saí e vi a tristeza,
o descaso, a indiferença;
o desespero, a pobreza,
desesperança e descrença.

Vi os contrastes, as preces,
ouvi súplicas e gritos;
pedidos a Deus, de benesses
e de acuda-nos ou estamos fritos.

Saí chocado e intrigado
porque fui passageiro dos fatos.
Nos trilhos, o destino gravado.
O futuro, um saco de gatos.

{Adhemar - Osasco, 16/08/2002]

No trem

Escrito ao contemplar a "paisagem" vista da janela do trem no trajeto de São Paulo a Barueri.

Adhemar, 28/07/2008.

Em tempo: se meu Velho estivesse entre nós, ele e a minha "Véia" fariam 46 anos de casados hoje!

criado por adhbrgsz    19:23 — Arquivado em: Poesia

26/7/08

JANEIRO

 

Somente depois de sete dias
é que tomo ciência de um novo ano.
O dia de ontem, igual hoje, igual amanhã,
fizeram uma festa pro ano;
e nem dei pela coisa.
Alguém pergunta de planos.
Planos? Digo - que planos?!

Estou tão sozinho como tenho estado até agora;
e já penso em como me inserir no mundo
se é que estou aparte (ou à parte).
Jogar tudo pra cima ou esperar um milagre?
Sei lá, o ano novo é isso:
olhos atentos e nenhuma idéia na cabeça.

[Adhemar - Peruíbe, 07/01/1988]

criado por adhbrgsz    7:56 — Arquivado em: Poesia

CHUVA

 

Hoje, o mar e o céu conspiraram
para transformar a natureza;
calaram o sol,
se embriagaram
e resolveram despejar sua ressaca
sobre os humanos na praia.

Atrapalharam histórias românticas
e dificultaram a areia para os desportistas.
Tudo ficou tão cinza
que o dia de hoje…
Bem, o dia de hoje foi chato.

Fez pensar coisas remotas,
despertou nostalgia
e trouxe coisas pra cima
que só aparecem nos dias cinzas.

[Adhemar - Peruíbe, 07/01/1988]

Nostalgia

Parece mais o nome de uma doença inflamatória… "Doutor, estou sentindo uma ‘nostalgia’ aqui no peito…"

Adhemar, 26/07/2008.

criado por adhbrgsz    7:49 — Arquivado em: Poesia

25/7/08

Viandante

 

Gente, estou em Vinhedo, ontem estive em Ibiúna… Já falei pro meu chefe: quero ser pago por quilômetro rodado! Faltam treze minutos para expirar o tempo que "comprei" num terminal de loja de conveniência, mas digo a vocês que estou satisfeito pela andança apesar da canseira; a gente tem que ir aonde o "trampo" está!

Bom, vou de seguido, agracendo a todos que enviaram comentários ao "post" feito pro aniversário do Adh3. Desculpem o abestalhado do pai dele, sempre de papo cheio feito um sapo cururu por causa da filharada (e da mãe dos distintos). Grande abraço a todos, amanhã tem mais.

Adhemar - Vinhedo, 25/07/2008.

criado por adhbrgsz    11:07 — Arquivado em: Brincadeira!, Opinião

23/7/08

DEZOITO ANOS (ADH3)

 

               Pois é, meu amigo, eu que tenho sempre as palavras na ponta da pena… Precisei começar três vezes, estava todo engasgado, a garganta, o cérebro, os dedos… Ainda bem que restava este coração de pai que não se engana, está sempre aberto e atento para admirar o talento dos amigos. Este coração de pai que rima em prosa e ‘prosa’ está por decerto. Orgulhoso e contente porque estás aí, um cidadão consciente, um menino bonito feito sua mãe, responsável, educado, carinhoso, estudioso e trabalhador.

               Pois é meu amigo, te carreguei no meu colo, te ensinei muita besteira e você achou seu caminho. Uns passos ainda meio vacilantes, como quando aprendeste a andar, mas certos d’aonde ir; estás a aprender a andar novamente, mais aventureiro e independente e isso faz parte do "script".

               Pois é meu amigo, não importa aonde você vá; estaremos sempre presentes ainda que de coração. És um ponto de equilíbrio, sempre foste "gente grande" e agora és adulto. Não oficialmente, por causa do aniversário; mas de verdade, realmente, por causa das atitudes. E se me emociono quando falo é por ver em ti a primeira das vítimas destes pais inexperientes, o teu ar de eterno garoto, a tua calma "irritante" mas que é positivamente contagiante nos ensinando que a pressa só faz produzir coisas inúteis. Compreensivo, generoso, companheiro, bom de papo e bom de bola. Um cidadão controlado, sossegado, pontual e abnegado. Meio folgado às vezes, mas nunca malcriado ou desrespeitoso.

               Pois é, o primeiro dos meus grandes amigos aqui de casa (quem mandou nascer antes?). Um dos meus grandes ídolos… Segue a vida no teu jeitão simples, continua crescendo. Haja o que houver estaremos sempre contigo, te abraçando e te aplaudindo.

               Parabéns e que Deus te abençôe, meu filho.

Para Adhemar Juan, aos seus 18 anos.

Adhemar, 23/07/2008.

Adhemais!

O trocadilho acima é por que o rapaz é demais mesmo, um bom partido, daqui a uns anos estaremos selecionando as candidatas… Ôps, foi mal, sei que não é problema nosso, é brincadeira, filho! E porque há um excesso de Adhemares nessa família, a mãe dele fez questão que levasse o mesmo nome; eu disse a ela, "não precisa me homenagear" ao que ela retrucou: "quem disse que o homenageado é você?" Fez questão que ele tivesse o nome do avô, com quem ela se dava muito bem. Me comprou! Daí as alcunhas, Adh1, Adh2, Adh3. Bom, não vou falar mais nada pra não parecer muito gabola… Parabéns, saúde e sucesso, rapaz!

Adh2, 23/07/2008.

criado por adhbrgsz    9:31 — Arquivado em: Opinião, Prosa

21/7/08

Aprendizado

 

Diante do silêncio total surgem reflexões,
além das lembranças de tempos atrás
e as descoordenadas sensações
encaminhando reações totais.

Assim sugestionada a mente e o coração demais,
pensa-se mais alto e mais longe nas razões
que trazem a um ser posições irracionais
diante da ciência inexata das paixões.

Assenhoreando-se ainda das mais ternas emoções,
viradas em lembranças que nem sempre tornam mais
acredita reagir e sobreviver às monções
do afeto recolhido; ventos letais…

Decepção e esquecimento às vezes são reais
e por mais que se esforce não evitam reações.
Amar é lindo, é bom mas faz sofrer sem jamais
revogar o sofrimento, deixando ao coração duras lições…

P/ B.S.F.
[Adhemar - São Paulo, 15/02/1988]

criado por adhbrgsz    12:49 — Arquivado em: Poesia
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