31/8/08
Campeonato de potoca (11)
Um belo dia, nosso zoólogo ganhou um macaco. Um bicho esperto que logo lhe conquistou a amizade, despertando-lhe uma grande simpatia que nunca chegou a sentir por nenhum dos outros animais.
Passados os anos, o bicho havia-lhe mudado completamente a maneira de ser. Vivera até então praticamente em função desse macaco que se mostrava muito observador e atrevido. Descuidava dos outros animais mas o macaco lhe corrigia tratando-os como se fosse seu próprio dono e o colocava na linha!
Depois de muito tempo de convivência e mútua admiração, os dois já meio velhos, houve o dia em que o zoólogo morreu de um súbito colapso cardíaco. Percebendo o que tinha acontecido com o amigo, o macaco não se deu por achado: incinerou-o e guardou suas cinzas como o tinha visto fazer em vida com inúmeros animais. E melancolicamente pôs-se a fumar, olhando nostalgicamente pela janela, pensando se não devia escrever um livro.
E assim termina a história do macaco que estudou o homem.
[Adhemar - São Paulo, abril/1981]
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