Arquitetura e poesia: Literatório

Impressões pessoais sobre tudo em geral e nada em particular; a sutileza que entremeia as diferentes expressões destas artes; a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida.

31/12/08

Faísca

Relâmpago, cicatriz do céu.
De repente, iluminando uma existência
fútil e sem sentido.
De repente, tão importante.
Sentir falta do convívio
sem nunca ter convivido.

Nem alarmado, nem romântico.
Sentimental e sincero,
paixão repleta de ocultas dores.
Irresistível, porém,
só se sobrevive resistindo.
No maior dos sofrimentos,
continuar sorrindo.

E o desejo louco,
intuído pelo raio da tempestade,
lindo, louco e dolorido,
tanto mais aumenta quanto mais inibido.
Um irreprimível reprimido,
extenso então, sorrindo…

A tempestade agora já não tem relâmpago.
Tem apenas o âmago-coração do amor vivido.
Descoberto e curtido
o sentimento mais profundo
abre os braços e chora;
chora pedindo o mínimo momento do desejo contido.
Chora rezando pela alma do beijo perdido…

P/ SM
[Adhemar - São Paulo, 20/12/1988]

Facho

Com este, fechamos a “trilogia” de textos escritos nalgum dezembro perdido (vejam os outros dois, abaixo), para ilustrar os sentimentos díspares - para não dizer antagônicos -  que me acometem sempre nesta época do ano. E aproveitar o ensejo para desejar a todos um Feliz 2009, que traga em seu bojo as realizações mais profundas ansiadas por cada um de vocês. Grande abraço!

Adhemar, 31/12/2008.

criado por adhbrgsz    9:09 — Arquivado em: Poesia

TAREFA

O dom da vida nos foi dado
para o nosso aprimoramento;
buscar mais ajudar e participar
do que se beneficiar e assistir.

Acomodar a cabeça nos próprios braços
ou nos braços da amada;
acomodar os pensamentos no positivismo, na bondade
estar apto a receber metas para cumprir e viver.

Viver então de fato,
saber-se capaz de resolver, de assumir,
de liderar, de compreender.

Olhar para o adiante,
o azul, o infinito e o saber.
Concluir, além de toda a possibilidade
e… Viver!

[Adhemar - São Paulo, 23/12/2007]

criado por adhbrgsz    8:46 — Arquivado em: Poesia

Formatura

Há uma foto entremeada num álbum. Especialmente essa foto traz recordações e lembranças que melhor ficariam se ignoradas. Não propriamente esquecidas: simplesmente ignoradas.

A foto mostra a mão serena, dedos queimados, segurando tranqüilamente uma folha de papel qualquer. Além disso, figura num dos dedos mais distantes da cicatriz no dorso, uma aliança dourada, de noivado. A gravata, o paletó e a camisa estabelecem uma elegância suspeita. Mas o rosto está tranqüilo, os olhos serenos e os cabelos emolduram esse rosto da maneira exata como deve ser. Porém, atrás dos olhos é que há um mistério, saudoso que ficou do antes daquele momento. E o estado de espírito presente nessa foto retrata um momento específico, muito particular e discreto; e as recordações que evoca referem-se a planos de vida e lindos sonhos que estão soterrados por uma avalanche de indiferença e indisposição.

O fruto criador, que do seu cerne dá a semente, está sêco. Mas como a semente “tem que morrer pra germinar”, vivemos por esperar e ver. Enquanto isso, fica o álbum fechado enquanto o rosto da foto mantém um indecifrável sorriso.

[Adhemar - São Paulo, 31/12/1987]

Retrato

Texto sobre uma foto do álbum da minha formatura da faculdade, ocorrida pouco mais de um ano antes. Essa época (final de ano) alterna o meu humor entre a alegria das festas, a melancolia do ficou pra trás e a expectativa otimista pelo futuro. A citação entre aspas é um verso de Gilberto Gil numa de suas mais lindas canções, chamada “Drão”.

Adhemar, 31/12/2008.

criado por adhbrgsz    8:30 — Arquivado em: Prosa

24/12/08

ORAÇÃO

Senhor;

Talvez estejamos cometendo o pecado da soberba, confrontando tudo em que acreditamos com aquilo que aprendemos. Desafiando os rituais, interpretando as preces e, acima de tudo, pedindo e recebendo mais do que dando. No entanto, incorrigíveis e altivos, vimos a ti, mais uma vez - e certos de que nunca nos abandonaste - pedir (sem suplicar) que continue nos indicando os caminhos, de preferência os mais suaves e iluminados. De nossa parte - não é uma troca e sim nossa obrigação - continuaremos nos esforçando para sermos menos mesquinhos, mais solidários, mais atuantes perante nossas responsabilidades diante de nossa família, trabalho e sociedade. Fazei-nos enxergar melhor este mundo, as pessoas e a vida.

Cremos firmemente que quereis filhos fortes, justos e ativos, mais do que fracos, humilhados e rastejantes. Fazei-nos seguir os teus exemplos.

Até o céu,

Amém.

[Adhemar - Santuário de São Judas Tadeu, São Paulo, 18/06/2002]

Desafio…!

Escrito dentro da própria igreja, este atrevido invocamento representa a maneira como vejo nossa relação com o Criador; já que teve a sublime idéia de mandar Seu Filho como exemplo, me faz pensar se não preferia que a humanidade fosse menos subserviente em seus tantos pedidos e reclamos e mais pródiga em ações efetivas e agradecimentos!

Aproveito o ensejo para desejar a todos - independentemente da crença de cada um - um Feliz Natal, que essa data possa ser, além do simbólico aniversário de Jesus, um momento de reflexão para cada ser humano, preferencialmente no alegre convívio com os entes queridos. Que as bençãos desta época sejam abundantes e que permitam uma inspiração de paz e harmonia para o ano que se avizinha.

Grande e fraterno abraço,

Adhemar, 24/12/2008.

criado por adhbrgsz    7:36 — Arquivado em: Prosa

21/12/08

GRUPO

Andei dando uma busca
nessas comunidades digitais
procurando alguém
que nem sei se está nessas redes,
que nem sei se existe
mas contém uns tantos ideais.

Andei procurando gente
de uns modos virtuais,
personalidade que idealizei
com características reais;
nem precisa carne e osso,
face, nome ou coisas mais.

Andei pesquisando pessoas
por critérios abstratos;
já vi caras, caretas
e divertidos retratos.
Mas acabei encontrando um pentelho
não exatamente na “net”:
mas bem diante do espelho…

[Adhemar - São Paulo, 23/05/2006]

P.S.: Vejam o post de ontem (logo abaixo) “reeditado” a cores…

criado por adhbrgsz    13:16 — Arquivado em: Brincadeira!, Poesia

20/12/08

Mudança…

Alô, gente, estamos estreando a mudança que, afinal das contas não foi tão radical assim. Passei um tempão salvando os textos, aprendi a fazê-lo a cada “postagem” com meu filho de quase catorze anos, o Marco, de agora em diante não me aperto mais. Não gostei muito dessa nova cara que escolhi por ser a menos feia e porque estava enjoado do azul (mudei de idéia: gostei sim); não gostei de não ter a opção “justificar” na edição do texto, pois detesto o desalinhamento à direita ou esquerda quando escrevo em prosa, enquanto não descobrir como faço vou ter de me conformar… (Idiotice minha: minutos depois de escrever essa besteira, descobri um botão que configurava o que eu achei que estava faltando; ô tonto!). A vantagem é que o contraste entre o fundo e as letras é radical e as letras são maiores, na minha faixa etária isso é fundamental - agora vejo o que escrevo! E pelo jeito, não dá para colorir o texto, não estou achando onde mudar a cor das letras (embora não use muito esse recurso, nunca se sabe… além de distraído, potoqueiro!). Como tenho muito o que fuçar ainda na personalização do setor de edição, vou ficando por aqui (como percebem, fiquei fuçando mesmo!). Passando o Natal, volto a visitar os amigos, graças a Deus dá pra colocar a lista de favoritos aí ao lado. Quem não está na lista está num caderno, pra gente não perder o contato. Aproveito o ensejo para desejar a todos um Feliz Natal, com muita paz, alegria e saúde, que todos possam estar na fraterna convivência com familiares e amigos. Há tanto ainda por dizer… No entanto, me calo: deixemos as bobagens para as manhãs de domingo! Só pra completar, estou gostando mais agora; ficou mais legal pra escrever, espero que tenha ficado mais legal de ler também; e vamos ver se o conteúdo acompanha o visual…

Abração,

Adhemar, 20/12/2008.

Adhemar, 21/12/2008.

criado por adhbrgsz    18:53 — Arquivado em: Opinião

19/12/08

Sons da prisão

 

               São tantas idéias perturbando a cabeça… Ficam se entrechocando  ansiosas por liberdade, soltando faíscas. Às vezes se aliam, se juntam para uma reunião de rebeldia planejando uma fuga, uma revolução ou uma outra saída. Às vezes sofrem uma invasão: são outras idéias vindas de fora, ouvidas na rua para aumentar a confusão. É tanta dor de cabeça que dá até um enjôo, uma náusea ou tontura que faz a gente sentar a espera da solução. Aí, mareado e distraído, a gente abre um caderno, se apossa de uma caneta e, instintivamente, dá asas à imaginação. Então, as idéias - surpreendidas em seu calabouço - saem em debandada fixando-se no branco da liberdade, confusas, ingratas ou gratas, organizadas ou não. A dor de cabeça passa. A cabeça fica vazia. E recomeça outra angústia: é tanto tempo sem nada… Será que nossas idéias entraram em extinção?!

[Adhemar - Sto. André, 25/08/2008]

criado por adhbrgsz    10:09 — Arquivado em: Prosa

17/12/08

Coincidência

Onde quer que eu vá
vou te encontrar
e também - sabe-se lá -
outro lugar.

Esteja, estamos
feito afoitos,
feito humanos,
feito doidos…

Enfim nos acharemos
sem procurarmos
um ao outro e riremos
dos nós que desatamos.

Até que nos afastemos
sem saber aonde vamos
e nos odiaremos;
nós, que nos amamos!

[Adhemar - São Bernardo do Campo, 11/12/2006]

criado por adhbrgsz    18:17 — Arquivado em: Poesia

14/12/08

QUEDA!

Foi num repentino impulso
que não custou muito
que se repetiu:
olhei pra trás, alguém caiu.

Foi num curto palavrão,
cheio de chão
me levantei;
na minha roupa eu me rasguei.

Meio mancando
eu fui andando
e a não tropeçar de novo
segui tentando.

Até que, numa reviravolta,
você de volta,
se repetiu:
olhei pra trás, alguém caiu!

[Adhemar - Santo André, 31/05/2007]

criado por adhbrgsz    10:22 — Arquivado em: Brincadeira!, Poesia

9/12/08

Dinâmica

Abrir os braços.
Para espreguiçar, para abraçar,
pra reclamar do juiz;
para fingir voar, pra comemorar
e pra manifestar um espanto.
Para se equilibrar,
ou nem tanto.

Erguer os braços.
Para pedir a palavra, para pedir a bola,
pra obedecer o ladrão;
para cheirar o sovaco,
para se acusar
e para se inocentar.

Cruzar os braços.
Por preguiça, por indignação;
para ouvir,
para se abster de uma opinião,
manifestar uma zanga
com a cara fechada.

Se isso é o que podemos com os braços,
imagine o que não fazemos com as mãos…

[Adhemar - São Paulo, 23/05/2006]

criado por adhbrgsz    8:20 — Arquivado em: Poesia
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