Arquitetura e poesia: Literatório

Impressões pessoais sobre tudo em geral e nada em particular; a sutileza que entremeia as diferentes expressões destas artes; a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida.

30/3/09

BELA

Pelo céu da noite estão estrelas frias.
Cada uma brilha diferente,
ficam iluminando a gente
por tantas noites e por tantos dias.

Mas a estrela maior está dormindo
de mãos postas sob o travesseiro.
Tento imaginar seu rosto fagueiro,
com gosto, sorrindo.

Sorrindo de um sonho de estrela,
de dona de todas as noites,
de dona de todas as águas,
de dona de todos os brilhos.

No brilho do gelo das estrelas
multiplicando os raios, fulgores,
sorrindo um prisma de cores
e linda, tão linda, dormindo.

P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 19/08/1987]

criado por adhbrgsz    22:25 — Arquivado em: Poesia

29/3/09

Guardados

A verdade, depois de um tempo, aparece. Se revela. Às vezes fica esquecida num canto, um fundo qualquer de baú, debaixo de muita poeira. E alguém sempre assopra.

A verdade é uma amiga perversa. Está sempre certa. Às vezes se disfarça e espreita. Nem sempre é o atalho mas, ao contrário do crime, compensa.

A verdade é uma atleta, forte e vencedora. Mesmo quando perde permanece soberana e… Soberba. Aliás, é irmã da honra, do fio de bigode, do caráter e da vergonha na cara. É irmã da coragem…

A verdade é sempre completa, mesmo desconhecida ou apócrifa; às vezes está exilada, mas volta por cima, altiva. De quando em quando a verdade é herdeira da mentira.

A verdade é exata, matemática. Regida pelos astros, regular como as marés. A verdade está nas estrelas, no dia claro, nos temporais e na floresta.

Mas a verdade também é urbana, é filosófica e profunda. Nada mais humano do que uma boa verdade.

[Adhemar - São Paulo, 26/06/2006]

criado por adhbrgsz    12:47 — Arquivado em: Prosa

EVOLUÇÃO

A árvore caiu!
Por qual mistério
o homem descobriu
que o pau dava papel?

A árvore caiu!
Por qual mistério
o homem descobriu
que a abelha dava mel?

A árvore caiu!
Por qual mistério
o homem descobriu
na galhada o fogaréu?

A árvore caiu!
Pelo mistério da observação
que o homem descobre coisas
eu tiro o meu chapéu!

[Adhemar - São Paulo, 14/06/2006]

criado por adhbrgsz    12:33 — Arquivado em: Brincadeira!, Poesia

28/3/09

SOB A CHUVA

Sob o guarda chuva das palavras insistentes,
“para enganar o tédio”,
surge uma prosa poética
sólida como um prédio,
suave como água corrente
escorrente dos temporais.
Esse tempo insistente
parece chato e doente
porém, não voltará mais.
E as palavras impressas,
eternas, necessárias, sem pressa,
vão ficar para sempre
desatadas da garganta,
dos punhos, do pensamento…
Achadas por um momento,
enfermas por um instante,
tratadas no sentimento
e de novo insistentes,
refratárias, circunstantes…

P/ Gabriela Domiciano (do blog “Devaneios”)
[Adhemar - São Paulo, 01/02/2009]

Guarda-chuva

Tenho ainda vários escritos originados de comentários e postagens em outros blogs desse nosso círculo tão interessante de afinidades, inclusive mais antigos do que estes que já foram mostrados.  Aos poucos eles irão aparecendo… E quem sabe outros mais não irão se sucedendo? Alguém sempre diz algo que nos intriga ou nos faz pensar e gerar uma reflexão escrita. Desde já vou agradecendo aos inspiradores…

Adhemar, 28/03/2009

criado por adhbrgsz    9:45 — Arquivado em: Poesia

24/3/09

Presença marcante

Modestamente se apresenta
o circo de um homem só.
Leão, domador e palhaço,
homem-bala, trapezista, macaco…

Picadeiro, o papel,
recebe variados números
acompanhados de atenção e pipoca.
A caneta é o próprio trapézio
sem rede num salto idiota.

A lona, quase rasgando…
O tema é o amor, a paixão…
Suspiros, piruetas, momices,
reverências, caretas e cambalhotas.

Respeitável público:
o poeta despede-se a tempo,
acaba uma temporada;
a trupe faz suas malas
pois há outras vítimas a aguardá-la.

Novo lugar, velhos truques.
Expõe-se de novo o artista
com descoberta retaguarda…

[Adhemar - São Paulo, 01/02/2009]

Respeitável público

Este “blog” está fazendo um ano de vida mesmo hoje! E pela primeira vez ficou “abandonado” por tanto tempo… Aliás, não sei o que fiz com esse inadministrável senhor, o tempo, que não o tenho para as coisas da escrita e leituras! A vida está passando como um vendaval sacudido. Enquanto me “seco” e tento entender o que passa, vou tentar subtrair alguns segundos dessa agitação tresloucada para passá-los aqui, junto ao nosso “bando” virtual. Grande abraço a todos,

Adhemar, 24/03/2009.

criado por adhbrgsz    23:34 — Arquivado em: Poesia

8/3/09

IMAGEM

- “Quem é você?”

Estou - estamos - diante um do outro. A pergunta é pertinente. Cabelos brancos e revôltos - ele. Revôltos e brancos, os meus. Olhar malicioso e franco, se é que alguém consegue olhar assim, ele ri. Não dizemos nada. Nesta altura da vida, pouco temos a dizer, um ao outro. Mas dá pra ler um pensamento. Isto já nos aconteceu antes, há muito tempo. Mas antes. Tínamos cabelos pretos, discutíamos por um minuto (penteados, ao menos?! Chego a achar que não). Tempos de água fria, de entusiasmo… Se alguém nos perguntasse o que tem a ver água fria com entusiasmo, riríamos. Associações livres que, quando jovens, contrariávamos.

Depois de outro silêncio, vejo-o sumir lentamente atrás do vapor de água quente no espelho…

[Adhemar - São Paulo, 24/05/1999]

E por falar em imagem…

Aproveitando a ocasião quero manifestar meu apreço por uma categoria especial de gente que Deus pôs no universo: as mulheres. Para mim, não há um dia específico pros homens ficarem puxando o saco que elas não têm. Todos os dias são dias de tratá-las bem, pois dão graça e beleza ao mundo, não só pela forma mas pelos gestos de que são capazes. Se não são perfeitas, quem de nós é? E, que apesar de muitas vezes não merecermos, ainda choram por nós…

Adhemar, 08/03/2009.

criado por adhbrgsz    9:14 — Arquivado em: Prosa

1/3/09

Gaiatice - VSm

Um homem vivido e experiente costuma achar que resolve tudo. Considera-se imune às surpresas, nas dificuldades costuma dizer: ” essa eu tiro de letra”. Então, um belo dia, ele se vê na contingência de levar o filho caçula à escola, pela primeira vez (para o filho, é claro). Vai planejando ficar lá o tempo que a escola decidir pois o pequeno pode estranhar, chorar, essas bossas. Chegado o momento, hora da despedida, ué?! Cadê o menino?! Já entrou, não disse nem tchau e, ao que parece, vai feliz da vida! E o babaca do pai, cuja boca já nem fecha de espanto, cai da pose e sai chutando lata, o rabo entre as pernas e pensando quantas surpresas mais a vida ainda vai apresentar…

P/ Vítor Samuel
[Adhemar - São Paulo, 04/02/2004]

Este também promete…

Nosso caçulinha, o Vítor, que fez 9 anos dia 25 último, realmente não deu trabalho na primeira vez em que foi à escola. Aliás, já tinha ido com ele antes, no dia da matrícula, e havia algumas crianças no curso de férias. A diretora o convidou para fazer algumas atividades com elas enquanto eu preenchia a papelada. Ela ficou encantada, pois quando ele entrou na sala onde as crianças estavam, ele disse o seguite: “oi gente, eu sou o Vítor; vocês querem ser meus amigos?” Ia fazer 4 anos, a figurinha… Então já demonstrava a enorme vontade de ir à escola, afinal, os irmãos não iam?! Independente, auto-confiante, conversa muito bem dando opiniões consistentes sobre todos os assuntos. Ainda me deixa embasbacado muitas vezes, tal e qual no primeiro dia de aula…

Aproveitando o ensejo, hoje (01 de março) é o aniversário da nossa princesinha - única sobrinha (que tem sete primos!) - Ana Beatriz, a Bia, faz três aninhos, é linda, muito inteligente e meiga, adora a primaiada que só tem mimos com ela; filha de meu irmão Alexandre, faremos uma festa conjunta pros dois (Bia e Vítor) daqui a pouco. Parabéns aos dois!

Adhemar, 01/03/2009.

criado por adhbrgsz    10:18 — Arquivado em: Brincadeira!, Opinião, Prosa
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://adh2bs.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.