31/5/09
Filosofar sobre tudo e sobre nada, sobre como é relativa a vida, as atitudes, a banalidade dos seres humanos.
Vivemos nos esforçando para fazer coisas inúteis, coisas que alguém vai criticar e vai querer modificar. Quantos encaram o problema de frente quando ele existe?! Quase ninguém. Quantos aparecem para condenar a solução dada por um intimorato desprendido?! Centenas, às vezes milhares de infelizes que antes estavam omissos para não cansar seus curtos braços.
Como diria um ilustre pensador: “o que somos nós diante da infinitude do universo?”
Alargar os horizontes é, antes de tudo, respeitar as diferenças entre as pessoas. É ter uma atitude de compreensão, não necessariamente passiva ou inativa, mas tolerante e solidária. Crescer é reconhecer os próprios defeitos e não tripudiar sobre as limitações alheias. Ser alguém é - sobretudo - agir honradamente sem abusar da própria capacidade mas sem subestimá-la também.
Ser alguém é transitar serenamente nessa intangÃvel divisa entre a própria liberdade e a louca vontade de mandar nos outros!
[Adhemar - São Paulo, 31/05/2006]
17/5/09
Foi numa santa sexta-feira,
uma emoção que ainda espanta,
um sopro no coração
- centro do corpo.
Ainda tenta sentir dentro
o sentimento que sustenta
a idéia tonta - e o movimento -
angustiosa espera…
Uma virtude curiosa,
palavra perdida - atitude -
dissipada, arrependida,
repentina e ultrapassada.
Nem confete nem serpentina;
a história se repete
na sequência da glória
sem amor e sem ciência.
Segue relatando a dor
do amor ressucitando
qual o Filho do Criador
no meio da fé e do brilho.
E o espÃrito, quem é?
É o poeta? É o infinito?
É uma tampa secreta,
aberta numa sexta-feira santa.
[Adhemar - São Paulo, 10/04/2009]
(uma sexta-feira santa)
16/5/09
Catado o instrumento de escrever,
desenhar,
a mão sobe certeira:
três balançadas no ar,
desce e apóia no papel;
a tradução vai começar.
Um esboço ainda que embaçado
está se formando no espaço;
vibra na mão balançando,
ocupa seu lugar sem embaraço
aparecendo no papel
como se fosse seu lar.
A mão parece uma antena,
um silencioso radar.
Capta o que vai no universo,
no cosmo e mais além
fazendo o recado viver,
fazendo a mensagem pulsar.
Ao final da intempestiva transmissão
se aquietam instrumento e condutor.
O assunto estampado em letras,
desenhos ou signos então
fazem figura e se apartam do autor.
Anônima, segue silente para outra aventura
essa corajosa mão.
[Adhemar - Santo André, 25/08/2008]
12/5/09
De repente, estou aqui.
As velhas coisas conhecidas
parecem que estão rindo de mim.
Um fio d’água escorrendo no rosto
e as coisas ainda rindo,
ou parecem assim.
Se sou tão estranho
nesse mesmo aqui de antes
devo concluir que estou nascendo de novo.
A cada coisa nova que nos acontece
há todo um modo novo de ser.
Ainda não sei quem sou;
apenas um ilustre conhecido
que esteve por aqui e passou.
Na palavra mÃstica de um movimento novo,
uma fuga preciosa de corais e flores.
De repente, estou aqui.
Querendo não estar,
mas não conseguindo sair.
[Adhemar - São Paulo, 31/07/1987]
Revival
Ah! Como a vida é cÃclica! E a história sempre repete. De repente, estou aqui…
Adhemar, 12/05/2009.
10/5/09
Â
Vermelho é minha cor predileta,
vermelho é a minha cor da sorte.
Vermelho era o teu vestido na noite,
da nossa aproximação certa.
Â
Vermelho como o meu sangue.
Vermelho como a rosa do desejo,
como o beijo,
como o mais lindo batom no lábio exangüe.
Â
Vermelho era a cor que a mulher errada
não gostava; por isso mesmo,
o destino, avermelhou meu caminho,
vermelho como o sol poente da estrada . . .
Â
Vermelho como as madrugadas
que precedem a aurora,
vermelho como o fluxo de palavras destiladas,
principalmente vermelho, vermelho e vermelho, ora!
Â
Vermelho como o nosso futuro,
alegre e berrante!
Vermelho como o nosso sangue.
Vermelho como a rosa do desejo.
Vermelho como o teu vestido,
vermelho como o rubor do beijo . . .
Â
Para S.M.
[Adhemar - São Paulo, 03/01/1991]
Red Star
Para aquela que é a senhora dos meus dias, mãe dos meus filhos e que faz aniversário amanhã!
Parabéns, Stella! Bjs,
Adhemar, São Paulo, 10 de maio de 2009.
Â
3/5/09
Os meus pensamentos são tão altos
que não mais escuto o que vai fora.
A cabeça se amedronta em sobressaltos
e pergunta: ” o que vai ser de mim agora?”
Os cabelos já em pé nem ficam mais,
e os olhos num constante alvoroço.
A fraqueza e a tontura são demais,
a barriga só reclama seu almoço.
Um tumulto e o mundo vai girando,
os ruÃdos - dentro e fora - insuportáveis.
A tontura desconcentra procurando
incessantes posições mais confortáveis.
Mais que os cabelos sempre encaracolados,
mais que perdido nessa faina inconstante
são os pensamentos mais embaralhados
que atrapalham sua audição no mesmo instante.
Mais do que uma fuga tão premeditada,
mais do que ações, todas lançadas à esmo,
fica a cachola tão esmigalhada
que soterra o poeta dentro de si mesmo!
[Adhemar - São Paulo, 12/04/2006]
2/5/09
Calor.
Suave e quente energia.
Envolvente vapor de afeto.
Nem súbito, nem apressado;
os corpos se aquecem e se movimentam.
Atração inevitável e normal.
Perseguição, captura.
Nuvens passando discretas
encobrindo aventuras secretas e reservadas.
O sol pensativo nas forças que pode fixar
para o amanhã radioso e perfeito.
Perfeito é o teu corpo,
mulher protetora,
de abraço quente e terno.
Poesia.
Poesias são essas palavras mal alinhavadas
que o aventureiro joga no tempo
em tempos difÃceis.
Toda a poesia é feita com um pouco de tristeza.
Tristeza melancólica.
Toda poesia contém também
a alegria passageira,
de passagem,
clandestina e sorrateira.
Toda a poesia escrita perde o sentido.
Poesia é para ser vivida
como a poesia que eu vivo contigo.
P/SM
[Adhemar - 09/01/1989]