Arquitetura e poesia: Literatório

Impressões pessoais sobre tudo em geral e nada em particular; a sutileza que entremeia as diferentes expressões destas artes; a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida.

17/10/09

DESCUIDO

E foi assim por acaso,
num gesto cheio de tentativa
que levantou-se uma hipótese
pouco provável e muito ativa.

Atirou-se uma pedra ao momento
que o vento nem desviou.
Atirou-se um insulto ao tempo
que pouco o incomodou.

E foi assim um acinte,
uma ofensa grave e teimosa.
Queimou-se a boca livre,
fechou-se a boca ruidosa.

E foi assim entre dentes,
o murmúrio da injúria
que por acaso a intenção
virou situação de penúria.

Inteiramente ao acaso
a boa intenção se perdeu.
O “por que” não vem ao caso
mas a incúria venceu.

Do mal entendido surgiu
pendência que não se encerra
e foi assim que se assistiu
o início de uma guerra.

E sem temor nem razão
a beligerância assume
uma tal proporção
que não se acaba nem se resume.

À paz, ao amor, ao perdão,
os homens preferem brigar.
Cegos de ódio ou paixão
por causas quem nem sabem lembrar…

[Adhemar - São Paulo, 12/10/2009]

criado por adhbrgsz    22:53 — Arquivado em: Poesia

1 Comentário »

  1. Pois é, poeta. Das causas de tantos desencontros, muitas vezes não temos lembranças prontas. Mas das palavras que nos tatuaram a carne, não se esquece… “Pendência que não se encerra”. Pena. Viver é tão maior…

    Beijoca de sua leitora.

    Comentário por Selma Barcellos — 21 de outubro de 2009 @ 14:32

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