Arquitetura e poesia: Literatório

Impressões pessoais sobre tudo em geral e nada em particular; a sutileza que entremeia as diferentes expressões destas artes; a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida.

12/10/09

São eles!

Que dizer dos três camaradas mais legais que eu conheço?

Chamar ao primeiro de criança chega a parecer um desaforo. Sujeito manso, dezenove anos de tranquilidade, daquele jeitão que só se altera quando joga mal o nosso tricolor (anda então muito agitado por estes dias!). É um ouvinte atento e paciente e suas reações vão se fazendo notar sutilmente ao longo do tempo. Um futuro jornalista que se chama também Adhemar - Adhemar Juan.

Chamar ao segundo de criança chega a parecer gozação. Apesar dos quase quinze anos, uma forma de pensar muito madura se manifesta na maior parte do tempo. Uma atenção constante e ponderada o faz uma espécie de maestro que tem sobre os outros (inclusive muitos adultos) uma inegável ascendência. O nosso doutor em assuntos de informática que se chama Marco Luiz.

Chamar ao terceiro de criança pode parecer apropriado. Por causa dos seus nove anos, de brincar e agir como criança que ainda naturalmente é. Mas já demonstra conhecimento e atitudes que o distinguem nesse momento da infância que antecede a adolescência. Um sujeito atento e interessado, ligado, ao mundo, antenado, que faz de jogar futebol seu passatempo predileto. Nosso pequeno grande homem, Vítor Samuel.

Não esqueçam do agasalho!
Tenham juízo, comportem-se.
Sejam educados, não façam nada que os envergonhe.
Já escovaram os dentes?

Beijão do papai pra vocês, Nossa Senhora os abençoe e proteja.

P/ AJ, ML e VS
[Adhemar - São Paulo, 12/10/2009]

São eles…

Os meus três melhores amigos, mais bacana ainda do que ser pai deles.

Adh, 12/10/2009.

criado por adhbrgsz    10:14 — Arquivado em: Opinião

8/10/09

ANSIEDADE

O vento cíclico da pressa se abate sobre o vivente logo após um período bem vivido. Um período vivido de fato, com tempo para olhar coisa por coisa, observar calmamente a paisagem e aprender - revivendo - um pouco de história. Período de hiato na conturbada vida urbana. Período infelizmente finado, bruscamente interrompido para quem estava praticamente parado!

De volta ao malfadado cotidiano, pouco a pouco aceleramos o ritmo, quase imperceptivelmente. Quando nos damos conta, fomos colhidos no vento cíclico da pressa. Realizamos as tarefas como autômatos, nunca desafogando a pilha de coisas por fazer e sequer analisando se o que é feito é realmente necessário. Perdido o crivo crítico, estamos totalmente engolidos pelo ciclone apelidado de vida moderna. Não prestamos mais atenção aos filhos, aos fatos, à conquista do campeonato, ao disse-que-disse, quem foi que disse, por que é que disse. Esquecemos de telefonar pra mãe, de visitar a vó e de dar um oi aos amigos. O trabalho se avoluma, o dinheiro escasseia e um abraço pra quem fica.

Nesse ponto os nervos já estão em frangalhos, o cérebro cansado e as reações automáticas. O sono já não repousa, ignoramos dores físicas e morais. Muitos sucumbem nessa fase. Um coração estourado, aneurisma, acidente de carro. Parar?! Só esticado no próprio velório. “Tão bom, coitado, tão dedicado…” Que nada! Era só mais um idiota estressado! Um ideal de vida esquecido, uma luta obstinada por nada. Esquecido dos pés no riacho, esquecido do céu estrelado; esquecido o sorriso sincero, a graça de um momento de convívio… Presente nessa lembrança torturante só mesmo a covardia de não fazer nada para mudar a própria história…

[Adhemar - São Paulo, 15/08/2006]

criado por adhbrgsz    20:37 — Arquivado em: Opinião, Prosa

23/9/09

VINTE ANOS!

Se de tudo ao meu amor eu for atento
- e hei de proclamá-lo aos quatro ventos -
resistindo bravamente minha Stella
a vinte anos já, de casamento!

Se Deus a escolheu por criatura,
que adora os filhos, cuida deles e me atura;
talvez por ironia ou castigo
a colocou nesta louca aventura…

Bem feito! Quem mandou?! Casou comigo!
Apesar de rica, escultural e muito bela,
só lhe sobrou esta casca de marido!

Que se esforça, que a ama
mais que tudo e mais um pouco;
que por paixão se atira aos pés dela
declamando tantos versos feito um louco.

Que todo dia se promete em oração
fazer o impossível pra continuar a merecê-la;
e tê-la impressa dentro do próprio coração
e mesmo assim sequer jamais cansar de vê-la.

Pra responder tua pergunta de outro dia,
se após tanto tempo o casamento é um estorvo,
só posso te dizer, sem ironia,
que contigo tantas vezes casaria
quantas eu pudesse, de novo!!!

P/ Stella Maris
[Adhemar - São Paulo, 21/09/2009]

23/09/2009 - 20 ANOS

Ou seja, não vai se livrar da sarna tão cedo…
Sei que você sabe que meu jeito de agradecer tantas bençãos em nossa vida é através dessa irreverência, arengando essas besteiras que me deixam feliz quando te fazem sorrir. Beijão,

Adhemar, 23/09/2009.

criado por adhbrgsz    0:23 — Arquivado em: Opinião, Poesia

15/8/09

SELOS!!!

Ah, é…

Fui generosamente agraciado pela Nina - do blog “O que sobra do bagaço” com um selo - Vale a pena ficar de olho nesse blog - criado por Sandra Françoso (cujo blog não tive oportunidade de visitar ainda). É preciso que eu diga que custei a entender essa coisa de selo, porque a princípio achava que era “fetiche de blogueiro”, brincadeira ou uma espécie de identidade entre blogs que tratassem de assuntos semelhantes. Então comecei a fuçar a história de selos colocados em blogs até chegar a seguinte conclusão: é uma forma de reconhecimento entre as pessoas que acabam apreciando o conteúdo de outros blogs com os quais se identificam. Eu mesmo aderi a essa história de blog como um teste para o interesse que aquilo que escrevo possa ter para para outras pessoas… E acabei descobrindo um mundo interessantíssimo, encontrando gente como a gente que expressa o que pensa ou o que inventa de maneiras muito legais, onde a gente aprende bastante sobre a gente mesmo e sobre os outros. E deixei de encarar o blog como uma mania (inclusive minha) e passei a ver esse tipo de comunicação como um fórum livre, onde formam-se redes de amigos virtuais atraídos pelo assunto ou pela forma como que escrevem.

Enquanto isso, eis que me presenteiam com outro selo, dado simultaneamente por dois blogueiros no “Arquitetura e poesia: Literatório 2″: Master Blog, oferecido por Finityster do blog “Eu quero que você leia“  e por Shintoni, do “Duelos Literários” do qual já participei algumas vezes.

Para finalizar, gostaria de expressar meu agradecimento pela distinção e de esclarecer que, vaidoso e convencido que sou dessas coisas, aceitei os dois selos e suas respectivas regras com meus indicados. E declaro que, só não estão postados ainda porque não consigo importar as imagens! Assim que meu asessor para assuntos de informática me ensinar eles estarão aqui e lá; aliás, estou tentando juntar o conteúdo mais antigo para o outro blog e ficar com um só.

Grande abraço,

Adhemar.

criado por adhbrgsz    8:49 — Arquivado em: Opinião

9/8/09

Encontro sonhado

Precisei imaginar, forjar uma imagem possível: meu pai. Me esperando num canto de um lugar onde nunca esteve antes, sorriu e me abraçou, me deixou beijá-lo; embora lembrando-me que não éramos muito disto. Deu uns conselhos para que eu administrasse melhor a situação. Recomendou-me o que não sou capaz de fazer: prudência e determinação! Está alegre com os netos (meus filhos e os de meu irmão), com a inteligência de todos e o desenvolvimento de cada um. Preocupa-se com o que leva seu nome pois é quase igualzinho ao pai… Alertou para a atenção aos demais, todos muito levados e atrevidos. Comentou nosso time lamentando por um passado que não volta mais. E fez um pedido antes de ir embora: “menino, cuida de tua mãe…”

[Adhemar - São Paulo, 10/05/2003]

Visão forçada

Quis tanto sonhar com meu pai que, em não conseguindo, inventei esse aí. Na época do texto, ainda não estavam conosco a filha de meu irmão caçula, nem os filhos de minha irmã. Mesmo onde esteja, por certo o pai está inchado de orgulho com a netaiada (são oito, atualmente…). Enfim, sempre muita saudade, ainda mais nesses dias evocativos.

A todos, um grande abraço pelo dia dos pais, ainda que eles estejam ausentes fisicamente, pois estarão sempre presentes na vida da gente; e para aqueles que tiverem os seus ainda por perto, curtam o seu velho pois quando ele não está por aí faz uma falta danada… Seja qual for o relacionamento que cada um tem com o seu; por pior que alguém ache que seu pai é, lembre-se que ao menos um espermatozóide legal ele tinha de bom!

Adhemar, 09/08/2009.

criado por adhbrgsz    11:05 — Arquivado em: Opinião

1/8/09

Impressões

Sair para tomar um ar, respirar e… Ver o céu estrelado. Cidade grande não tem céu estrelado. Na cidade grande a gente também não tem tempo de olhar para cima.

Continuar com a mesma ansiedade de antes, agora por saber não poder prolongar a estadia no ar puro, sob o céu estrelado. Calor sem pressa, céu azul - claro de dia, marinho à noite.

Entroncamento de caminhos para um pouco de história: base de bandeirantes aqui perto (Porto Feliz), formação geológica específica mais adiante (Itu)… Enfim, o epicentro de uma paz perfeita. Mas como tudo o que acontece de mau jeito quando a gente leva uma vida errada, fim, acabou. Temos de ir embora.

Retorna a ansiedade angustiada, cresce o mau humor, afloram nossas fraquezas na rotina corrida. Adeus, tranquilidade, até a vista bem viver e bem curtir a natureza…

[Adhemar - Boituva, 21/04/1999]

criado por adhbrgsz    21:39 — Arquivado em: Opinião, Prosa

11/7/09

Gravidade

Sou apegado ao chão; um salto já significa um afastamento demasiado ousado da terra. Subir uma escada só se justifica a partir de uma lógica absolutamente irretorquível e inescapável. Voar, então, nem se fala! Asas delta, pára-quedas, aviões, foguetes e satélites são um produto do delírio e da pretensão humana em se igualar a Deus.

Claro que há exceções: por exemplo, quando a gente salta da margem para nadar num rio, ou no mar; quando o pulo, originado por um forte impulso, resulta numa bela cabeçada ao gol; e até na mesmo para defender a bola se o saltador em questão for um goleiro.

Voar para os braços da amada, estar nas nuvens e levitar de felicidade são exemplos de metáforas permitidas, aceitáveis. Flutuar, principalmente a alma desprendida do corpo é a última das metáforas, o melhor dos impasses e, quem sabe, o mais belo ângulo de contemplação da terra e do espaço.

[Adhemar - São Bernardo do Campo, 27/12/2005]

criado por adhbrgsz    13:49 — Arquivado em: Opinião, Prosa

2/4/09

Visita ilustre às origens

O poder transformador do homem é admirável e temível. Sua profunda capacidade de antever situações que demandam preparo, extração, fabricação e montagem e sua capacidade de enfeitar, adornar ou simplesmente estabelecer o novo ambiente ou novo objeto.

Estupefato, vejo um terreno dar lugar a um prédio; vejo minério se transformando em carros, máquinas, moldes e ferramentas para fazer outras coisas. Vejo a montanha virar pedras e as pedras virarem obras, ou jóias.

Aí, volto os olhos para trás e vejo o terrível poder transformador do homem: vejo a montanha virar um imenso buraco, vejo a floresta virar deserto, vejo minérios virarem armas e árvores tornarem-se dinheiro. E de repente eu vejo o dinheiro virar a cabeça dos homens, transformando capacidade em cobiça, inteligência em “esquema”.

Estarrecido, vejo o enorme poder da violência, nascido do poder da miséria, da opressão e da ganância; e o absoluto poder da mídia transformando tudo em fatos vendáveis e irretorquíveis, ainda que distorcidos e fabricados.

Então, vejo um índio carajá formando-se advogado para entender tudo isso. E voltar para a sua aldeia de origem e contar ao seu povo espantado as incríveis contradições do “Tori” (homem branco). Não entende a profunda agressão à natureza e aos outros homens! Não entende o trabalho que tem o “Tori” oprimindo, matando e juntando bens para não fazer nada depois! Não entende por que o incoerente “Tori” não tira o que precisa do rio, das matas, do mar e da terra, calma e sossegadamente como fazem os índios, tidos por indolentes por esse mesmo sobranceiro e intolerante “Tori”.

Socorro, meu Deus, eu quero ser índio!

[Adhemar - São Paulo, 29/04/2006]

Data vênia

Peço desculpas por não citar o nome do chefe dos carajás que foi estudar direito para tentar entender o “Tori” (e representar sua tribo para defender sua terra e os seus direitos), simplesmente não o registrei à época e esqueci. Escrevi esse texto após ler uma reportagem em que ele era o entrevistado. Lembro que chorei ao perceber como somos uns pobres diabos mesquinhos, gananciosos e sem a menor noção do que é viver em comunhão com a natureza; e esta ainda vai dar o troco, simplesmente eliminando a raça humana do planeta… Provavelmente,  só vão sobrar aqueles, que, puros de alma, ainda a respeitarem: os índios e todos os “nativos” assim entendidos os que vivem em harmonia com sua terra - ou com o que dela ainda não tivermos destruído…

Adhemar, 02/04/2009.

criado por adhbrgsz    8:07 — Arquivado em: Opinião, Prosa

1/3/09

Gaiatice - VSm

Um homem vivido e experiente costuma achar que resolve tudo. Considera-se imune às surpresas, nas dificuldades costuma dizer: ” essa eu tiro de letra”. Então, um belo dia, ele se vê na contingência de levar o filho caçula à escola, pela primeira vez (para o filho, é claro). Vai planejando ficar lá o tempo que a escola decidir pois o pequeno pode estranhar, chorar, essas bossas. Chegado o momento, hora da despedida, ué?! Cadê o menino?! Já entrou, não disse nem tchau e, ao que parece, vai feliz da vida! E o babaca do pai, cuja boca já nem fecha de espanto, cai da pose e sai chutando lata, o rabo entre as pernas e pensando quantas surpresas mais a vida ainda vai apresentar…

P/ Vítor Samuel
[Adhemar - São Paulo, 04/02/2004]

Este também promete…

Nosso caçulinha, o Vítor, que fez 9 anos dia 25 último, realmente não deu trabalho na primeira vez em que foi à escola. Aliás, já tinha ido com ele antes, no dia da matrícula, e havia algumas crianças no curso de férias. A diretora o convidou para fazer algumas atividades com elas enquanto eu preenchia a papelada. Ela ficou encantada, pois quando ele entrou na sala onde as crianças estavam, ele disse o seguite: “oi gente, eu sou o Vítor; vocês querem ser meus amigos?” Ia fazer 4 anos, a figurinha… Então já demonstrava a enorme vontade de ir à escola, afinal, os irmãos não iam?! Independente, auto-confiante, conversa muito bem dando opiniões consistentes sobre todos os assuntos. Ainda me deixa embasbacado muitas vezes, tal e qual no primeiro dia de aula…

Aproveitando o ensejo, hoje (01 de março) é o aniversário da nossa princesinha - única sobrinha (que tem sete primos!) - Ana Beatriz, a Bia, faz três aninhos, é linda, muito inteligente e meiga, adora a primaiada que só tem mimos com ela; filha de meu irmão Alexandre, faremos uma festa conjunta pros dois (Bia e Vítor) daqui a pouco. Parabéns aos dois!

Adhemar, 01/03/2009.

criado por adhbrgsz    10:18 — Arquivado em: Brincadeira!, Opinião, Prosa

10/2/09

Amigos!!!

Gente, este disperso “amigo” não percebeu que o texto abaixo - “AMIGOS” - foi postado em 20/06/08. Isso porque sou organizado e anoto no canto da folha os textos que vem para cá. Então, fica um “replay” pra vocês que já tinham visto e um convite pra “navegar pra trás” pros que chegaram depois; e podem pular dia 20/06…

ADHistraído, 10/02/2009.

criado por adhbrgsz    18:29 — Arquivado em: Opinião
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