25/11/09
Que veia poética na prosa fluente,
essa em que uma ponta de saudade já se sente,
mesmo estando aí,
e bem contente!
Sobre a Cascais de cá eu digo agora,
está um cantinho a povoar-se de pequenos edifícios
que assim ao ver-se pelo lado de fora
denunciam de verdade o meu ofício.
Tua Cascais, por certo, é mais bonita,
esteja bem, esteja atenta pra contar
aos teus fãs sobre essa terra bendita
onde aos teus queridos foste encontrar!
P/ Selma Barcellos (http://www.tiaselma.com/2009/11/sinal-de-vida)
[Adhemar – São Paulo, 25/11/2009]
21/11/09
Sei fazer cerveja com água salgada;
já sou lacaio de muita gente,
um patrão só não seria diferente;
tenho medo de jacarés,
mas não dos que estão aos seus pés;
fluente em marcenaria…
Só que eu não iria,
não tomo cerveja quente
e seria uma teia de enganos.
Valeu, agradeço a oferta de emprego,
mas já tenho os meus próprios planos…
P/ Ninguém Envolvente (http://naoseenvolva.blogspot.com/2009/11/2012)
[Adhemar - São Paulo, 21/11/2009]
Aberto o compasso, o espaço, o espelho.
Aberto o assunto, juntos os joelhos.
Falar do que é complicado,
mexer na ferida aberta.
Aposta no próprio coelho,
no favorito disparado,
aposta na aposta certa.
Não se aposta na aposta certa,
é feio, é descarado.
Descartado na testa,
na festa, almoxarifado.
Reserva do que é preciso,
precioso e protegido;
conserva do que é juízo,
protesto,
modo conciso.
No afago, apego e afeto,
no rosto um gosto disposto;
Nos pés, um passo mal dado,
nos dedos, um gesto amargo.
Parado também é pressa,
a presa, do espreitado.
No ar o assunto é vago,
fechado o primeiro compasso.
No ar um adeus ao espaço
do espelho embaçado.
[Adhemar - São Paulo, 18/11/2005]
18/11/09
Exílio.
Uma ausência forçada.
Uma expulsão indireta.
A gente fora do nada.
Auxílio.
Um socorro de repente,
ajuda anunciada
para um apelo urgente.
Exílio.
Saudades da pátria amada.
Morada em terra estrangeira,
prometida e indesejada.
Auxílio.
Uma passagem pra frente,
para apoiar - interesseira -
a mão estendida e pedinte.
Exílio.
Uma solidão desacompanhada
não tendo ninguém por ouvinte
da queixa mais que magoada.
Auxílio.
Uma emboscada,
um desarme consciente
para uma alma exilada…
[Adhemar - Ibiúna, 27/10/2009]
15/11/09
Um viajante anônimo observa
o movimento vital numa paisagem.
O amor na natureza manifesta
uma época de típica estiagem.
O amor é como a flor, sem água seca,
‘inda que da melhor terra se alimente;
mas se de tal cuidado não se cerca,
ele padece em sofrimento, está doente.
Enfim, em todo caso, haja coragem!
E, se a timidez o desalenta,
no dizer palavras ele enfrenta…
A pior ou qualquer tormenta da viagem;
e, se de uma centelha ele se incensa,
de uma grande emoção se recompensa!
[Adhemar - Cuiabá, 22/07/1987]
10/11/09
Diante da dúvida eu me deito
de costas para a areia,
de frente pro céu azul.
ou pássaros voando,
ou as estrelas do cruzeiro do sul.
Diante da dúvida eu invento
outros caminhos mais serenos
enquanto a mente entremeia
pesamentos mais leves
para problemas pequenos.
Diante da dúvida eu respiro,
abro os braços e pergunto:
- o que queres, me explique,
se explique, que eu me viro
ou simplesmente mudo de assunto.
Diante da dúvida eu cumprimento,
peço licença e vou saindo…
P/ Gaby(http://gabysp.wordpress.com/2009/09/16/duvidas)
[Adhemar – São Paulo, 16/09/2009]
8/11/09
Machadada,
coco rachado;
metade pra cada lado,
dívida, dúvida
e um mal pago.
Facada,
queijo cortado.
Já não serve pro provérbio,
nem pro ditado.
Agulhas,
botão costurado;
tesoura,
pano cortado.
O que da união faz o açúcar
o calor o faz melado.
Unha -
migalha pela metade.
Tudo se divide,
infinitamente,
basta um pouco de vontade!
[Adhemar - São Paulo, 23/07/2009]
7/11/09
UM DIA,
UM BELO DIA,
NASCEU UM SONHO.
UM SONHO TAL COMO OUTROS TANTOS,
MAS ENFIM TÃO VIVO,
TÃO PRESENTE,
TÃO NECESSÁRIO E TÃO REAL
QUE SE TORNOU A COISA
MAIS IMPORTANTE DA VIDA.
A CONSTRUÇÃO DESSE SONHO QUE NASCEU
É DIFÍCIL E MUITO COMPLICADA;
MAS TÃO EMPOLGANTE, TÃO DECISIVA,
QUE DECIDIR PASSOU A FAZER PARTE
COTIDIANA DESSE SONHAR
MAIS E MAIS A FRENTE,
SEMPRE ESSE SONHO.
E QUE SATISFAÇÃO
EMBALÁ-LO POUCO A POUCO,
TÊ-LO ENTRE AS MÃOS
TAL E TANTO,
QUE TANTO MAIOR PARECE
A CADA MOMENTO.
E FAZÊ-LO TÃO LINDO
QUANTO MAIS A IMAGINAÇÃO PERMITIR
É A ÚNICA E VERDADEIRA OBRIGAÇÃO
DE QUEM VIVE.
PODE SER O SONHO DE CADA UM
MAS É, PRINCIPALMENTE,
O SEU SONHO.
P/ Alexandre Augusto Braga de Souza
[Adhemar - São Paulo, 07/11/1987]
Sonhos… 18
Texto escrito assim mesmo, em letras maiúsculas, para o meu mano caçula, Alexandre, no dia de seus dezoitos anos. Nem sei se a gente sabia do que estava falando ao se referir a sonhos… À faculdade de agronomia? À experiência (internacional!) em irrigação? Ao saneamento ambiental (competência mais que reconhecida com nosso mano Álvaro!)? À Bia, sua linda filha? Enfim, aceite o abraço do seu mano véio ao reproduzir aqui o tributo aos seus dezoito anos bem no dia dos seus quarenta. Sucessos e felicidade, que você bem merece.
Adhemar, 07/11/2009.
1/11/09
No auge do trajeto, pouso forçado.
Deserto.
Uma inundação de nada,
absoluta e refratária.
Nos olhos,
um brilho dolorido por todos os lados.
Uma única fumaça sai da lata arregaçada.
Narinas ressecadas, pulmões opressos.
Um enorme calor enregelante,
pés inchados.
No mais alto,
um inclemente azul rascante.
Nem garganta, nem dentes.
A boca faz o gesto desnecessário
a procura do que não há,
dentro da sede.
Fusão de pensamentos.
Fusão de areia e céu no horizonte.
Elétricas tempestades,
elétricas ausências;
as mãos inquietas
evitando acenos vãos.
Visão de oásis,
folha quebrada pelo inexistente vento.
A mais absoluta solidão
entrando dentro,
numa discreta algazarra
de abandono e lassidão.
[Adhemar - São Paulo, 28/07/2008]
31/10/09
Longínquos sinais, tardios acenos.
Sopros suaves, ventos amenos.
Furtivos suspiros, inocentes folguedos.
Fugidios sorrisos, esquecidos brinquedos.
Uns breves toques propositais
dados por perdidos.
Uns fingidos desvios nem tão casuais,
faces e olhos ardidos.
Tanto esforço de atitudes parecendo normais…
Intra-peito, um coração fugitivo.
E lábios que nunca beijaram querendo mais,
querendo tudo, um mergulho impulsivo.
Até que a saudade cause lágrimas mortais
por essa dor nunca antes sentida;
nessa certeza de que todos os amores são fatais
até que morra o primeiro e surja outro em nossa vida…
[Adhemar - Santo André, 13/11/2008]